sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

ESTAÇÃO FERROVIÁRIA, 140 ANOS DE HISTÓRIA

                                           acervo : Silvio Antônio de Melo


A construção do primeiro trecho da estação Ferroviária Oeste de Minas foi iniciado em 25 de junho de 1879 quando foram contratados o empreiteiro Miguel Arcanjo da Silva e outros e o engenheiro Paulo Freitas de Sá responsável pela fiscalização dos serviços. O jornal Arauto de Minas informa em edição de novembro de 1880 “ a quinze do corrente mês conforme fora anunciado pelo inspetor geral desta viação abriram se ao tráfego as estações de Barroso e Invernada” apenas duas locomotivas foram utilizadas, tipo montezuma da americana Baldwin Locomotive Works e ainda carros da estação ferroviária Pedro II.

O governo mineiro, concedeu a EFOM o privilégio de explorar a navegação Rio Grande por 10 anos, mas já era comum a navegação do Rio das Mortes.  A Epidemia de varíola ocorrida em 1879 em Barroso impediu a navegação sendo posteriormente restabelecida, no entanto, atividade não perdurou por muitos anos.

O biólogo Marcos Magalhães de Souza, em artigo, observa o impacto sobre a vegetação local por ser construída nas margens do rio das Mortes, quando houve o “fornecimento de 70 mil dormentes de 1,40m x 18x 12m, de novembro de 1879 a julho de 1880, sendo que as madeiras para os dormentes foram entre outras: Angelim pedra, arco de pipa, braúna, peroba, canela, sapucaia, ipê”, contudo a ferrovia não foi pioneira neste segmento de desmatamento, tendo em vista que os fornos de cal   em Barroso datam de 1831, por certo que o impacto ambiental se revelou de forma acentuada.

A ferrovia representou o progresso para Barroso “o sertão se transformou em palco de civilização. Estações inauguraram povoados e lhes deram nomes”. Teófilo Otoni acreditava que a ferrovia era o instrumento para colonizar áreas despovoadas. Era esta a mentalidade da época em que se construiu o primeiro trecho compreendido entre Sitio e Barroso. A Estação ferroviária de Barroso foi inaugurada em 30 de setembro de 1880 sem destaque nos jornais da época.

O Imperador D.Pedro II, em 26 de abril de 1881 acompanhado do diretor da EFOM, Joaquim Lisboa. Segundo o diário do imperador houve apenas uma passagem pelo arraial do Barroso. Em 03 de julho de 1881 o engenheiro americano Willian Milnor Roberts, juntamente com o representante da Baldwin Locomotive Works que aqui escreveu uma carta que assim dizia “está bastante claro para mim que esta linha de bitola estreita é um sucesso completo enquanto trabalho de engenharia”.

Santana do Barroso, antes da ferrovia, era apenas uma aldeia elegante, com casas bem caiadas cujos quintais eram repletos de árvores frutíferas, além de igrejas e uma praça inacabada com duas casas comerciais. Após a chegada da ferrovia alguns melhoramentos como a elevação do arraial em condição de Paróquia (1884) e a dinamização do comércio de cal e por certo o aumento da população.

O presidente da província de Minas, Antônio Chaves em 1883 acreditava que a extensão da ferrovia fomentava a indústria, além do aumento da produção agrícola e atrairia imigrantes para a região. Através da estrada de ferro houve a  exportação de cal para grandes centros comerciais como Juiz de Fora, Rio de Janeiro e São Paulo exportava-se também cereais, toucinho, queijo,algodão, açúcar,couro e importava-se sal. Por volta de 1900, Barroso exportava grande quantidade de frutas para o Rio de Janeiro, e por esta época, alguns italianos cultivavam a uva americana e também produziam vinhos.

 Dentre os ferroviários que atuaram em Barroso podem ser citados : José Teixeira da Cunha, mestre linha; Joaquim Alves de Souza, agente de Estação; João Adriano da Conceição guarda da estação  em 1883. Nos idos de 1919 Guilherme Sena e David Lima ,durante a Revolução de 1930 , José Ribeiro seguido de Carlos Ferreira da Costa em 1935. Na década de 1950 José da Silva Pinto e Raul Polastri, sendo nesta época também famosas as empadinhas da dona Laura Polastri.

Pouco depois de completar um século de existência , alguns ramais ferroviários foram desativadas, os centenários trilhos foram retirados sob os  olhares  dos últimos ferroviários da Estação de Barroso  :Waldir Sebastião de Oliveira –chefe; Altair Ferreira da Costa sub-chefe ;Carlos Gomes do Nascimento –agente auxiliar ; Avelino de Paiva Azevedo Agente auxiliar; Braz Parreiras Malaquias , Rubens Soraggi,  Agostinho Barbosa e José Luiz de Freitas Neto manobristas.

Referências Bibliográficas

CAMPOS, Bruno Nascimento. A Imigração Italiana e a Oeste de Minas em São João del-Rei.  Artigo publicado no site www.saojoaodelreitransparente.com.br
LISBOA. Joaquim . Apontamentos sobre estrada de ferro d’Oeste de Minas . Rio de Janeiro Typografia de Soares e Niemayer.1881
SANTOS,Welber. O Surgimento da EFOM: Trilhos para o Oeste .UFOP
SOUZA, Marcos Magalhães de Barroso, uma História de Desmatamento e de esforços recentes para conservação dos remanescentes florestais.  Vertentes nº27 p.16-26 janeiro a junho de 2006;


Adaptado Tribuna da Cidade ano IV n.39 janeiro 2010

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