segunda-feira, 6 de abril de 2020

SEMANA SANTA EM BARROSO






A celebração das solenidades da Semana Santa em Barroso ocorreu em março de 1929 após autorização do arcebispo de Mariana. Os fazendeiros alugavam casas no arraial para participarem durante a semana de todas as funções religiosas e chegavam em carros de boi com suas famílias e utensílios o que para distração dos moradores mais antigos ficou apelidado como “carro das abóboras”. 

A população contrita acompanhava o déposito de Nosso Senhor dos Passos em procissão pelas ruas do povoado, com visitação aos “passinhos” contemplando o sofrimento de Cristo rumo ao Calvário, na ocasião a banda de musica executava os motetos do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores. 

Em 1953 a cerimonia do Oficio de Travas deixava de constar do programa e em 1958 excepcionalmente  as solenidades da Semana Santa foram suspensas na cidade pelo padre Luiz Giarola Carlos. Os primeiros programas impressos da festa religiosa exortavam  ás mulheres que deveriam comparecer com trajes decentes; ás irmandades estivessem devidamente paramentadas; as crianças a  comparecerem nas procissões no domingo de Ramos e da Ressurreição com roupas “de virgem e anjo”. 

Nas solenidades da Sexta Feira Santa os fiéis deveriam usar vestes escuras uma vez que a Igreja estava em “luto profundo” nas demais procissões recomendava-se que as mulheres fossem na frente formando 4 alas e em seguida os homens. Rituais e costumes que se perderam no tempo assim como os antigos Passinhos ...




sábado, 4 de abril de 2020

PRESBITERIANOS, UMA TRAJETÓRIA DE FÉ E PERSEGUIÇÃO



Acervo Edyr Ladeira 

Fotografia do primeiro templo protestante de Barroso inaugurado em 07 de dezembro de 1930. Edificado na rua Joaquim Meireles foi demolido na década de 1960 para dar lugar a casa pastoral da Igreja. 

Anteriormente os cultos aconteciam na casa de Carlos Aleva épocas de muita perseguição aos iniciantes, até mesmo com o missionário John Marion Sydenstricker, que ao desembarcar na estação ferroviária, recebeu ameaças de ser lançado da ponte no Rio das Mortes, por um grupo de homens de Barroso caso adentrasse no povoado com pregações protestantes, sua salvação foi a rápida intervenção do subdelegado Francisco de Paula Souza que impediu o atentado.

                                                      Acervo : Rev. Alderi de Souza Matos

John Marion Sydenstricker nasceu no dia 2 de julho de 1894 na cidadezinha de Lewisburg, na Virgínia Ocidental. Ordenado em 18 de junho de 1918 pelo Presbitério de Green. veio para o Brasil em 1919 e aqui  implantou muitos pontos de pregação em várias localidades tudo isso em meio a forte oposição católica. Após 42 anos de trabalho missionário Sydenstricker se aposentou em 1961 e foi residir em Campinas. Faleceu em novembro de 1972 e dona Margarida sua esposa em maio de 1973, Tiveram três filhos: Daniel G., John Marion Jr. e Jack Thomas, todos residentes no Brasil.

 Em meio a lutas e dificuldades em 04 de abril de 1948 era organizada a Igreja Cristã Presbiteriana com 32 membros comungantes e 41 não comungantes. Os oficiais da igreja era constituído pelo pastor Francisco Alves, presbíteros Manoel Ladeira, Osório Pereira, Antenor Cunha e os diáconos Jayme Ladeira, Carlos Pereira e Joaquim Ladeira.

Jornal Barroso Em Dia  ano 9 num112 05/07/2014



terça-feira, 31 de março de 2020

QUEM SE LEMBRA DA BIBLIOTECA MUNICIPAL ?


Em 31 de março de 1971 foi instalada no prédio do Centro Cívico a Biblioteca Pública de Barroso. Os 49 anos de funcionamento deste importante espaço em nosso município desdobra-se num sentimento de nostalgia misturado de lamento pelo descaso do Poder Público na falta de apoio mais intenso à Biblioteca que certamente foi um indicador de Cultura ao longo destes anos de existência . 

Além do empréstimo de livros de literatura, nossa biblioteca foi muito frequentada pelos estudantes na realização de pesquisas nas enciclopédias Barsa com temas  os mais variados requisitados pelos professores. Os estudantes aprimoravam conhecimentos e também se entretinham na leitura de clássicos da coleção Vagalume ou na saga de Aghata Christie.

A biblioteca pública também foi um espaço nobre do município,visto que ali foi instalada a galeria dos ex-prefeitos municipais, considerando que à época era um espaço de maior visibilidade da cidade. Diversas exposições foram realizadas com artistas locais (pintura, desenho, artesanato), poetas, fotografias e objetos antigos. O acervo de livros gradativamente foi se escasseando pela falta de aquisição de novos títulos ou pelo descarte desordenado de livros que ocorreu nas ultimas décadas com consentimento do Governo Municipal .

Sempre busquei o silêncio da biblioteca para realização de pesquisas, e sou testemunha ocular do descaso com aquele espaço cultural que rompe décadas! Sem nenhuma verba de manutenção, atualização de acervo para deleite dos leitores ou alguma política de incentivo  para os heroicos  escritores que se aventuram na difícil de missão de produzir conhecimento . 

Em tempos de tecnologia digital, a biblioteca, que acumula quase meio século de existência, não possui computadores para os consulentes, não possui acesso à internet e tampouco informatização do acervo para buscas e renovação de empréstimo online. Com uma estrutura limitada para suas promoções, a biblioteca de Barroso parece ter parado no tempo e não conseguiu aprimorar o atendimento aos seus usuários.  Porém, justiça seja feita às funcionárias que se desdobram em suas atividades, e  aos leitores que ainda dão algum sentido para aquele espaço. 

Caminhamos rumo ao cinquentenário de sua instalação, na esperança de que novos gestores dispensem um cuidado  para nossa Biblioteca ou que pelo menos o jubileu não passe em branco, afinal muitos de nossos políticos já devem tê-la frequentado em algum momento de suas vidas. Presume-se.


segunda-feira, 16 de março de 2020

QUEM FOI FRANCISCO ANTÔNIO PIRES ?




Francisco Antonio Pires nasceu na freguesia de Santa Rita do Ibitipoca em 1800 seus pais eram José Francisco Pires e Ana Joaquina de Moraes. Sua família migrou para esta região, em virtude da aquisição da fazenda do Barroso de modo que Francisco Antonio Pires cresceu naquela histórica fazenda. Contava 22 anos quando sua mãe faleceu, tendo então que auxiliar seu pai nas atividades diárias, naquela época a fazenda do Barroso destacava-se pela criação de suínos, e uma fábrica de cal contribuía com a renda familiar. Na fazenda haviam quase 35 escravos e uma quantidade imensa de glebas de terras formavam o patrimônio da família Pires. 

No século XIX quando Barroso figurava como distrito de Barbacena, Francisco Antonio Pires ocupou o cargo de Juiz de Paz, era então uma espécie de liderança para uma localidade que contava com pouco mais de 600 habitantes, foi um fazendeiro de grandes posses, em virtude da herança de seus pais, no entanto teve que compartilhar com seus 12 irmãos parte do vasto patrimônio deixado.

Acabou ficando com as benfeitorias velhas da fazenda do Barroso, e com 8 escravos , no Cantagalo chegou a possuir mais de 128 alqueires de terras. A agricultura era a atividade predominante em Barroso. Manteve no povoado um modesto comércio, dispondo dos seguintes produtos: tesouras, urinol,vermelhão para sapatos,pastilhas contra vermes,perfumes, pentes para cabelo, lápis , utensílios domésticos como pratos, garfos e colheres, facas, bule, castiçais de vela , muitos destes eram artigos de grande necessidade.

Foi um grande devoto de Senhora Sant’Ana, através de um titulo de dedicação em 16 de dezembro de 1860 constituiu o patrimônio desta capela por meio da doação de uma porção limitada de terras, pensando num possível aumento da capela e na possibilidade de aforamento das futuras ocupações. Estava garantida assim uma fonte de renda para a Capela de Sant’Ana do Barroso.

Participou das irmandades religiosas, do Santíssimo Sacramento em Prados, Nossa Senhora da Boa Morte em Barbacena, do Senhor Bom Jesus em Congonhas do Campo e do Senhor Bom Jesus dos Passos em São João Del Rei.Permaneceu no estado de solteiro, mas em seu leito de morte reconheceu os filhos Francisco das Chagas Pires, Emerenciana Maria da Trindade, Jose Antonio Pires e Mariana que estava casada com Francisco Cândido  Meireles os quais constituiu como seus legítimos herdeiros.

            Francisco Antonio Pires faleceu em 12 de junho de 1861 e pelo fato de ter sido um dos benfeitores da Paróquia de Sant’Ana do Barroso, o padre Luiz Giarola Carlos na condição de pároco e Inspetor Escolar solicitou em 1947 a transformação das Escolas Reunidas de Barroso em um grupo escolar,sugerindo na oportunidade a denominação de Francisco Antonio Pires.

terça-feira, 3 de março de 2020

UMA MULHER DE GESTOS NOBRES


                                                            Acervo : Vanda Barbosa Silva


Em 17 de fevereiro de 1948 no então distrito de Ressaquinha nascia uma mulher virtuosa: Vanda Barbosa da Silva destinada a defender as minorias nativas que ainda habitavam a região do Mato Grosso. Tendo vindo para Barroso na década de 1950 com sua família, aos 17 anos teve sua primeira experiência como educadora no povoado da Boa Vista e naquela comunidade rural permaneceu por 8 anos. 

No entanto, foi em 1974 que a destemida mulher deslocou-se para inóspita região do Mato Grosso. No alvorecer de sua juventude passou a residir na aldeia de Kayabi convivendo ainda com as seguintes tribos indígenas: Pareci, Müky, Enauene, Naue, Rikbatsa seu trabalho na área de saúde consistia em relacionar as doenças e catalogar os principias remédios por eles utilizados implementando adequada vacinação. 

Decisiva foi sua atuação para criação de uma escola possibilitando às crianças nativas o conhecimento de outras culturas. Juntamente com universitários da USP e UNICAMP realizou o mapeamento dos limites das terras indígenas evitando possíveis invasões no território dos Kayabi. Na luta pela integridade física e cultural dos índios, Vanda Barbosa se destacou e chegou a ocupar o cargo de coordenadora da OPAN – Organização de defesa dos índios Amazônia no ano de 1979 a partir de então  passou a proferir palestras em diversas cidades difundindo suas experiências. 

Retornou a Barroso em 1995 e somente em 2011 que o legislativo municipal outorgou-lhe titulo de honra ao mérito, tardia homenagem em reconhecimento aos seus relevantes serviços prestados à causa indígena. Por trás de um sorriso tímido Vanda esconde uma linda história de esperança, caridade e amor. 

Jornal Barroso em Dia  ano 9 num 109  maio de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

BREVE RELATO DA PRESENÇA ITALIANA EM BARROSO


A imigração italiana foi uma realidade para a região das Vertentes em fins do século XIX, através das hospedarias e colônias nas cidades de São João Del Rei (28/11/1888) e Barbacena (15/04/1888) [1] . Contudo, a presença dos italianos já era evidente anteriormente às politicas imigratórias e de incentivo à colonização. Um relatório apresentado na Assembleia Legislativa da Província de Minas Gerais, em 02 de março de 1871, reproduz a fala do Presidente Antônio Luiz Afonso de Carvalho, já sinalizando o pensamento de atrair imigrantes para Minas, recomendando às Câmaras Municipais e párocos a utilização da mão de obra dos europeus para os serviços das fazendas: “Vendo o que está se passando em São Paulo, a transformação que apeia no seu comércio e lavoura, e considerando as vantagens que se tem a colher a Província com a introdução da imigração em grande escala, dirigi as câmaras municipais, juízes de direito, párocos e juízes municipais a circular do 16 do mês passado, a fim de que a imitação, do que se está principiando em outras províncias e se praticou nos Estados Unidos da América, se promovam associações particulares, que se incubam das distribuição dos colonos contratados, ou de mandar diretamente contratá-los na Europa para o serviço das fazendas e das fábricas, substitui desde já, quanto possível os escravos e preencher os vácuos deixados pela invalidez, manumissões, fugas, crimes e a morte (...)” (TEIXEIRA:2011 p.29)

De acordo com o censo da Província, em 1872 havia 146 italianos em Minas. Em São João del Rei, desde a inauguração da Estrada de Ferro Oeste de Minas, se verificara a presença de italianos.  A locomotiva de nº 1 que conduziu o Imperador e sua comitiva em 28/08/1881 tinha como maquinista o italiano Felipe Marchetti[2]. Por essa época, também residia na cidade Carlos Preda, professor de italiano, além das famílias Bello, Fioravanti, Fabrino e Lovaglio[3].
            Após os anos de 1880, os italianos passaram a representar o maior número de entradas, chegando a corresponder a cerca de 60% do total de estrangeiros. Em sua maioria, eram procedentes de Bolonha, Ferrara, e Verona no norte da Itália.  A Fazenda José Teodoro, na cidade de São João Del Rei, foi o núcleo colonial que recebeu maior parte das famílias destes imigrantes. Destaque para alguns sobrenomes, presentes desde 1888, cujos descendentes migraram para Barroso: ALEVA, CAMARANO, CAPUTO, CARRARA, CALSAVARA, CANAVEZ, BEDESCHI, DALDEGAN, MISSON, STANCIOLI, SOTANA, VITTA.  
Convém explicar as razões da imigração, que tanto foram incentivadas pelo governo através de propagandas e subsídios para os colonos. Pesquisas em periódicos italianos demonstram a eficácia destas propagandas de incentivo à imigração, estampando o quadro de miséria que se vivia nas Itálias (grifo nosso: é mais correto falar no plural devido à pluralidade de grupos sociais de um país em processo de unificação). Portanto, expropriação das terras camponesas, miséria no campo e instabilidade politica acabaram motivando os italianos em busca de novas perspectivas de vida e trabalho para suas famílias. De acordo com TEIXEIRA: 2011 p. 84 no período de 1846-1932 pelo menos 11 milhões de indivíduos deixaram a Itália rumo ao Brasil.
 Conforme esta autora, nem todos os imigrantes revelaram vocação agrícola para o trabalho no campo e buscaram nas cidades outras formas de sobrevivência. No espaço urbano, retomavam suas antigas profissões e conquistaram relativa ascensão social nas comunidades que se estabeleceram.
Para um estudo de caso sobre a presença italiana em Barroso, faz-se necessário uma análise em documentos diversos e cruzamentos de fontes, primeiro, para identificá-los e depois comparar e acompanhar suas relações sociais. Neste propósito, os livros do Cartório de Notas contendo informações sobre transação de imóveis, o arquivo paroquial contendo registros de casamento, nascimento e óbito, e por último as atas das eleições ocorridas em Barroso assim como alguns testamentos.
O recorte temporal contempla o período de 1872 - época de difusão governamental da propaganda de imigração - e 1930,  final da República das Oligarquias. Entendendo estar neste recorte o maior número de entradas nas hospedarias e núcleos coloniais da região, buscamos compreender a inserção do imigrante frente ao processo de industrialização vivenciado em Barroso.
Por volta de 1868, o italiano Luiz Iatarola residia no arraial de Barroso. Era procedente da Província de Benevento na Itália, e sua profissão era de mascate de fazendas secas.  O documento do primeiro registro de italiano em Barroso foi localizado no Arquivo Municipal de Barbacena, através do qual o português Manoel Rosa Coelho denunciava: “Diz Manoel Rosa Coelho, residente neste distrito, que no dia 25 p.p. o italiano Luiz Iatarola, mascate, abusando do direito de propriedade do suplicante tirou para si, contra a sua vontade, huma escrava sua parda Ana[4]”.
O ato foi apurado pelo subdelegado alferes Antônio Carlos Ladeira em 12/04/1872 e conforme despacho do juiz, julgado improcedente, não configurando o crime de furto.  Este mesmo italiano também se envolveu no assalto da fazenda do Capitão Vital Antônio de Campos, nas proximidades de Barbacena, num grupo de pelo menos 7 italianos, porém é relacionado como cooperador na captura dos assaltantes[5] Chama atenção o fato de que estes imigrantes estariam na região de Barbacena muito antes da criação da Colônia Rodrigo Silva, em 1888.
A construção do primeiro trecho da Ferrovia Oeste de Minas em 1879, compreendendo as estações de Sítio a Barroso e consequentemente o funcionamento da ferrovia, deve ter atraído a primeira leva de imigrantes para a região[6]. Conforme observa TEIXEIRA, 2011 p. 55: “Os italianos se dedicaram ao ramo da olaria, fabricação de dormentes, lenha, carvão, e cal, produção vendida à Cia da Estrada de Ferro Oeste de Minas”. Vale ressaltar que Barroso, além da estrada de ferro, possuía jazidas calcárias e já se destacava pelo comércio de cal.
A abolição da escravatura em 1888 parece não ter impactado a população barrosense. Segundo a dissertação de Valeria Nacif sobre os padrões de discriminação racial em Barroso, não houve significativa dispersão dos escravos “quando veio a Liberdade, os negros choraram porque não queriam a liberdade, era o medo da Liberdade, não saber o que fazer” [7]. Os ex-escravos continuariam vinculados a seus antigos proprietários, inclusive com a distribuição de lotes para que os negros trabalhassem.
Os dados do censo da população de Barroso em 1890[8] revelam o número de 197 negros que residiam no povoado, para uma população de 1.105 habitantes, excluindo mestiços e caboclos. O censo contabilizava a população distinguindo gênero e estado civil. NACIF, 1992, no entanto, ressalta reduzido número de registros de negros para o mesmo período, pontuando o aumento da população negra a partir dos anos de 1920 coincidindo com a chegada de diversas famílias de Ibertioga e outros povoados da região.
Portanto, a presença de imigrantes em Barroso, no período pós-abolição da escravatura, não se relaciona com a necessidade da utilização da substituição da mão de obra escrava. Através da pesquisa nos livros de registros do Cartório de Notas, constatou-se que os imigrantes italianos alcançaram o poder de posse, através da aquisição e venda de imóveis no distrito de Barroso:


  •  Escritura de hipoteca que fazem Francisco José de Meireles e sua mulher, de uma morada de casas na rua direita a Salvador da Silva[9] negociante de fazenda e gêneros do país de empréstimo na quantia de 400 mil réis em 03/01/1880;  outro contrato social celebrado entre Salvador da Silva e Luiz Citta em 02 de junho de 1885;
  •  Em 24/08/1887, os italianos Ângelo Ambrósio e Caetano Monteiro firmaram escritura de hipoteca, como garantia da dívida entre ambos e empréstimo de dinheiro na quantia de 2.500, réis;
  •    Braz Camarano vendendo a Ladislau Magalhães uma morada de casa no Largo do Rosário em 21/02/1889 e o mesmo comprando de João Francisco Pinto uma casa térrea coberta de telhas no mesmo local em 24/07/1891;
  •      Caetano Monteiro comparece outras vezes ao Oficio de Notas, primeiro comprando do filho, na quantia de 2 contos de réis, casa de telha, moinho, monjolo no retiro do Morro da Telha em 19/09/1891, e depois doando para seu genro Miguel Grassano, em 16/02/1894 uma morada de casa metade térrea e outra metade assoalhada no valor de 11.500 réis.


Outras transações são firmadas, revelando nomes de outros negociantes como Domingos Aleva e seu sobrinho Carlos Aleva[10] e quase sempre entre os mesmos estrangeiros e outros de nacionalidade portuguesa. Uma única doação foi encontrada nos livros de registros, em 25/06/1904 em favor de Senhora Sant’Ana e Nossa Senhora do Rosário pelo casal Genaro Lenzi e Carolina Caputo. Os benfeitores parecem não ter deixado filhos, mas destinou alguns dos bens ao afilhado Carlos Aleva.
Os italianos já demonstravam poder de compra e negociação. As primeiras casas comerciais do lugar pertenciam a elementos de nacionalidade italiana. Em 1894 já estavam arrolados entre os contribuintes de imposto de profissões e serviços da Câmara Municipal de Tiradentes. Os italianos eram os principais “empreendedores” no distrito, constam como negociantes de fazenda e gêneros do País: Salvador da Silva, Genaro Lenzi, e como proprietários de caieiras: Caetano Monteiro, Braz Camarano e a firma Aleva e Irmão.
Outro ponto de observação destes italianos na sociedade barrosense seria a participação na política local. Nas primeiras eleições, ocorridas na casa de Caetano Monteiro, convocadas para eleição de vereador especial do distrito, apresentaram seus nomes o pároco da Paróquia padre Luiz Donato Rivieccio e o fazendeiro Joaquim de Souza Meireles. O resultado foi de 31 votos para Joaquim Meireles e apenas dois votos para o sacerdote italiano.
As eleições no arraial desde 1892 revelam a baixa participação de imigrantes, predominando os fazendeiros locais na conquista dos votos. Em 1897 Domingos Aleva disputou o cargo de agente executivo distrital e obteve apenas seu voto contra o português Ladislau Magalhães, com 134 votos.
 Nas eleições para vereador distrital, Júlio Pinto disputou com o empresário João Daldegan e ganhou 91 votos contra 12 votos. Salvador da Silva parece ter sido o único dentre os italianos bem sucedidos, com sua eleição para o cargo de Conselheiro Distrital em 1901, ocasião em que obteve 69 votos. Porém não consta nenhuma eleição de algum imigrante em cargos mais elevados na hierarquia da politica municipal (Tiradentes) e aqui mesmo no distrito.


Luiz Donatto Riveccio: um padre Italiano no meio de nós



Tendo permanecido na Paróquia de Barroso por período de 1889 a 1892, infelizmente não se encontrou livro do Tombo da Paróquia que compreendesse o período de estada do sacerdote imigrante, porém o padre Riveccio foi protagonista de um incidente transcorrido em São João del Rei, em um dos eventos significativos da História, que foi a transição dos regimes monárquico e republicano. O fato ocorrido foi relembrado por Basílio de Magalhães e se trata  da visita de Silva Jardim à São João Del Rei, em 21 de abril de 1889:

Quando o apóstolo fluminense proferia em São João Del Rei a sua empolgante oração, no sobrado da casa comercial do venerando Sr. Marçal de Souza Oliveira, assaltaram-se, estupidamente, os fanáticos do velho regime por violento tiroteio de pedras, tendo tido os fundibulários [quem arremessa pedra com funda] por chefe o vigário da Paróquia em que fui batizado (Santana do Barroso) chegaram até a projetar o incêndio do edifício. Não pude assistir a inflamada pregação rios da História, que teria sido a visita do arauto da República[11].

O padre Luiz Donatto, era natural de Torre del Greco, na Itália. Sua nomeação como vigário colado da Paróquia de Barroso ocorreu em princípios de 1889 e foi noticiada no jornal “A Província de Minas”. O sacerdote foi pároco nas cidades de Passos e Itajubá, e faleceu em 27 de abril de 1918, aos 88 anos de idade.

Uma perspectiva de Barroso no princípio do século XX

O distrito de Barroso, então pertencente ao Município de Tiradentes, apresentava um quadro populacional superior a 1.000 habitantes. As principais carências da povoação eram:  reconstrução da ponte sobre o Rio das Mortes, construção de um cemitério, serviço de iluminação,  limpeza e nivelamento das ruas. No entanto, havia um movimento mercantil dinâmico, liderado por estrangeiros de nacionalidade portuguesa e italiana.  
Através da estrada de Ferro, os principais produtos exportados eram a cal, seguida do queijo. A agricultura que predominava enquanto atividade econômica também contou com braços imigrantes: “Há alguns trabalhadores agrícolas estrangeiros que se dedicam a lavoura de feijão e de milho – são italianos e portugueses que imigram espontaneamente e se estabelecem na localidade.” [12] Naquela época plantava-se milho, feijão, arroz, cana de açúcar e em menor escala café e uva americana da qual se produzia vinho.
Em 1922, o promotor da Comarca de Prados, Dr. Antônio Patrício de Assis, passando por Barroso, registrou: No Barroso, antigamente, havia vários estrangeiros de residência fixa, e hoje ainda há alguns, todos têm sido felizes no lugar e concorrido para o progresso do arraial[13]. Os italianos foram pioneiros na diversificação das atividades econômicas no distrito de Barroso. 
A primeira fábrica a existir foi a de Pedro Daldegan, um italiano procedente de São João Del Rei[14], trata-se da Caieira Grande, que a partir de 1926 foi transferida para Fidelis Guimarães. Geraldo Napoleão também informa sobre o Barrosense Futebol Clube (1926-1929), time do qual participavam os irmãos Luiz e João Daldegan: “As viagens da equipe para disputar os amistosos eram financiadas pelo empresário Luiz Daldegan “A embaixada viajava de trem da antiga estrada de ferro (...) requisitavam-se vagões da 1ª classe (...) no hotel, enquanto se aguardava o horário da disputa, havia danças animadas entre jovens barrosenses e sanjoanenses” (SOUZA: 1979 p.68).

Relembrando ainda a presença dos Daldegan em Barroso, um curioso registro do protagonismo desta família relatado pelo senhor Geraldo Sutana: “o primeiro avião que pousou no Barroso foi dele [irmão do Luiz Daldegan] (...) anunciou que  iria fazer um pouso no Barroso, então foi festa em Barroso onde foram escolher o lugar onde podia pousar esse avião de dois passageiros só (teco-teco) então acharam lá, sabe, a dona Naná [Maria Coelho de Souza], mãe do Lelei e o Patafú roçaram lá, limpou direitinho, então descia pertinho da casa do Zé Meneghim [Rua Joaquim Meireles] que conseguiu descer o avião, pra poder dar saída dele morro abaixo, né, então ele pousou lá e veio cá na frente, (...) então quando os dois desceu [irmãos Daldegan] foi aquele festão danado, (...) e na hora de voltar viraram ele na mão e ele foi lá perto do Zé Meneghim viraram ele na mão porque era levinho, (...) ai virou ele os dois entrou embalou por ali e saiu lá em cima perto da Cachoeira no buraco do lobisomem e foi embora, mas aquilo foi um festão para Barroso aquele dia nossa! (...) isso eu te falo porque nóis foi lá, o pai custou a carregar nois até chegar lá (...) [15].

Outra memória, mas de triste recordação envolvendo a família Daldegan, foi o acidente ocorrido na estação ferroviária de Sítio (município de Antônio Carlos). Segundo relatos,  o trem havia parado  para uma manutenção na referida estação e, ao movimentar-se, Maria da Anunciação havia caído entre a plataforma e o trem,  sendo arrastada pelos trilhos.  O casamento de Vitório Daldegan com Maria da Anunciação Meireles ocorreu em 15 de junho de 1926 de modo que as famílias aguardavam os recém casados para uma grande festa, e receberam  os pedaços  do corpo que  chegaram em um lençol. O que seria uma festa, tornou-se um funeral.



Cerâmicas em Barroso, um empreendimento italiano

Digno de nota foram os esforços do conde Francisco Canela, que em 1924 pretendia instalar na localidade uma cerâmica, que adquiriu no “João Gomes”, um terreno de 18 alqueires por 32 contos de réis. Para esta empreitada buscou parceria com outro conterrâneo, Silvano Albertoni[16] surgindo assim a firma F. Canela e Cia LTDA. (SOUZA: 1979 p.91).
A Cerâmica Albertoni manteve suas atividades por mais de meio século. Vale destacar que o sócio fundador também participou de outro empreendimento, a Sociedade Barrosense de Eletricidade, e foi membro da comissão de emancipação do distrito em 1953.
 Na comunidade de ítalo- brasileiros o casal Silvano e Antônia Nardini se destacavam, pois eram agentes consulares e mantinham contato com os cônsules Tranquilo Bianchi, Ugo Sola, recebendo em 07/03/1937 em São João Del Rei o cônsul da Itália em Minas Gerais e Goiás, Tulio Grazzioli[17].
    Outro imigrante que impulsionou o comércio em Barroso foi Humberto Carbonaro[18] que inaugurou a Caieira Littorio em 28 de outubro de 1936. Carbonaro foi chefe de numerosa família, e sempre presente nos eventos sociais de Barroso, foi um dos incentivadores de todos os movimentos que visavam o engrandecimento e progresso da cidade. Por esta razão, a Câmara Municipal de Barroso, por merecimento, concedeu-lhe em 2 de janeiro de 1974 o titulo de cidadão honorário de Barroso.

As primeiras estradas e os Italianos

Há que se registrar, que muitos dos serviços de acesso às estradas para Barbacena e que ficaram prontas em 1930, contaram com braços e recursos de imigrantes. Pelo menos o nome de Ângelo Meneghim[19] foi registrado nesta empreitada no livro “Barroso, subsídios para a História do Município” (SOUZA, 1979:96). Os serviços de abertura da rodovia de Barroso para Barbacena contaram com os esforços de Meneghim, que se ocupava da extração de madeira na região. Adquiriu em 19/08/1924 uma casa assoalhada coberta de telhas, moinho e 14 alqueires de terras no Bom Jardim por 14 contos de réis, também construiu uma estrada interligando a região com o distrito de Barroso, investimentos que lhe custaram 4 contos de réis.
Constam também os esforços do militar Silvano Albertoni, que sendo proprietário de uma cerâmica, talvez fosse o maior interessado numa via mais rápida de comunicação entre Barroso e Barbacena. Neste segmento de “Comunicação”, Albertoni intercedeu junto a Light para que se instalasse o serviço telefônico em Barroso.

 A Cultura local com influência dos italianos

Apesar de não ter sido encontrado nenhum registro de Associação ou entidade de classe que congregasse os Italianos e seus descendentes, sabe-se que os conterrâneos mantinham contatos uns com os outros e que se entrosaram com a sociedade local, seja nas promoções culturais ou religiosas.
Há registros de que o primeiro harmônio da Igreja Matriz de Sant’Ana foi fornecido pelo italiano Antônio De Cusatis , durante a festa da padroeira em 26 de julho de 1934. De Cusatis veio para Minas Gerais, e investiu em caieiras nas cidades de Ubá, Barroso e Carandaí. Nos relatos de família, a história da sua chegada ao Brasil é lembrada em detalhes: ''No início do século XX a Itália passava por transformações e problemas políticos sérios e os familiares da família   De Cusatis e Manse passavam necessidades em sua terra natal. Portanto, resolveram retornar à Europa: Antônio, a esposa Carmela, e as duas filhas, Elisa e Josefina. Da. Carmela costurou em todo o seu espartilho, moedas de libras  esterlinas (em ouro maciço) para levar para seus familiares. Antônio era empresário, e possuía no Rio de Janeiro um armazém de importações. Ao chegarem à Itália, não conseguiram retornar ao Brasil de imediato, pois a Itália estava se preparando para 1ª Guerra Mundial e Antônio foi convocado a se alistar no Exército Italiano. Não concordando com o posicionamento político de seu país, deixou sua esposa e as duas filhas na Itália, e fugiu para a França. Começou então a odisseia para retornar ao Brasil.(...), conseguiu embarcar num vapor com destino ao Rio de Janeiro. Viagem que durou vários meses, chegando a contrair a “Febre Espanhola”, que dizimou grande parte da população. Carmela e filhas continuavam em Celle Bulgueria, na Itália. Durante vários meses do ano, colhiam frutos e cogumelos que armazenavam no porão da casa como provisão para o inverno e assim ficaram vários anos, até conseguirem embarcar num navio a vapor, fugindo da guerra, rumo ao Rio de Janeiro.  Nessa viagem, Josefina, pianista virtuosa, encantava a todos nos saraus. A travessia do Atlântico levou mais de três meses, pois o vapor somente podia ligar os motores à noite, com receio de ser afundado por submarinos alemães que infestavam o oceano Atlântico[20]
 A vida cultural em Barroso transformou-se de forma significativa com a influência desta família, sobretudo a partir do casamento de Elisa De Cusatis com Severino Rodrigues em 1926. Dona Elisa era modista e confeccionava os enxovais dos casamentos, como também tocava piano, promovia saraus em sua casa para a juventude. Com apoio de seu esposo, que era empresário no ramo de cerâmicas, Elisa conseguiu implantar em Barroso um grupo de Teatro, sendo que os figurinos e cenários eram por ela própria confeccionados. Os integrantes do grupo são apontados por Souza, eram as filhas Eda e Zari, Humberto Mirandela, Maria Alice, Marlene Ceolin, Mário Gomes, Fernando e Maria José Barreto e os futuros prefeitos Mazinho, José Meneghim e Macedo Couto (SOUZA: 1979 p.102).
Durante o leilão da Festa de Sant’Ana, dona Elisa apresentou para a comunidade uma de suas receitas, uma rosca feita com frutas cristalizadas. A iguaria faz parte do leilão da festa da padroeira  por longos anos, tornando-se uma tradição ainda mantida por suas netas.

  Imigrantes Italianos em tempos de guerra

Já se falou aqui do pioneirismo de alguns imigrantes e sua contribuição para a vida industrial da sociedade barrosense. Às vésperas da 2ª Guerra Mundial ainda figuravam a empresa Albertoni e Irmão LTDA, com 39 empregados; Humberto Carbonaro no ramo de Laticínios, com 8 trabalhadores; e Carlos Aleva destacava-se no segmento de panificação[21].Independente da contribuição que estes empresários deram à sociedade, movimentando a economia e gerando empregos,  o conflito da grande guerra colocava os imigrantes em situação delicada e sob estrita vigilância. Um ofício do prefeito de Dores de Campos, Ildefonso Augusto da Silva, em 28/03/1942 destinado ao chefe de Polícia do distrito Federal Filinto Muller[22],  informava que no distrito de Barroso havia alguns italianos como o empresário Silvano Albertoni e sua esposa, Humberto Carbonaro e o sitiante Ângelo Meneghim. O casal Albertoni acabou detido em Dores de Campos, sendo que Silvano ainda seguiu para Belo Horizonte. Pesava sobre ele a suspeita de manter correspondência suspeita com o Cônsul Italiano. Ao fim de tudo, seguiu para defesa de seu país de origem, retornando para Barroso com a patente de coronel e aqui faleceu em 12/03/1968.



Sobrenomes italianos : possibilidades de grafias

Ao analisar algumas fontes documentais, verificou-se que houve uma alteração na grafia dos sobrenomes, de modo que não se sabe efetivamente a grafia mais fidedigna. Estas variações podem estar relacionadas ao oficial do Registro Civil que efetuava estes registros ou na dificuldade dos imigrantes em se fazerem entendidos.
Vale ressaltar que a falta de instrução era uma característica do perfil de muitos destes imigrantes lavradores, em sua maioria procedentes da região norte da Itália, conforme demonstra Karina Nicácio: “ao final do século XIX quando a cidade [São João Del Rei] recebeu uma quantidade considerável de imigrantes, grande parte destes não sabia ler ou escrever” [26]·. Ao informar a localidade de origem na Itália, registrava-se o que se entendia e assim lemos no testamento de Philomena Vitta[27] a informação de sua procedência: São João de Napires, Província de Salerno, quando na verdade seria San Giovanni a Piro. 
Além da localidade também foi possível observar a troca do sobrenome Vita para Victor. Outro exemplo de alteração de grafia, se verifica na família Graçano que preserva o sobrenome diferente do  registro de casamento do imigrante Miguel Grassano, ocorrido em Barroso em 1894.
O sobrenome Sutana , possui uma origem desconhecida e modificada ao longo dos tempos. O imigrante Agostino Sottana (30 anos) procedente de Veneza, deu entrada na hospedaria em 14/11/1888  juntamente com a esposa Angela (29 anos) e os filhos Domenico (4 anos), Luis(3 anos) e Pedro(1 ano). Instalou-se com sua família na cidade de São João del Rei, a grafia do sobrenome mudou para “Soltani” e atualmente os descendentes utilizam simplesmente Sutana. A título de exemplo podem ser citadas as grafias observadas em documentos de formas divergentes: Meneghine, Bedesque, Victor, Graçano.

A emancipação de Barroso ocorreu em 12/12/1953. A cidade tornou-se acolhedora para muitos trabalhadores rurais e da indústria de cimento que se instalava em princípios da década de 1950. Os quadros populacionais aumentaram de forma significativa e Barroso se tornou mais uma vez hospitaleira para descendentes de outros imigrantes.
O dia 21 de fevereiro é considerado dia Nacional do Imigrante Italiano, e não poderíamos deixar de registrar de forma pioneira, a presença dos italianos em nossa cidade e ainda relacionar  alguns sobrenomes de origem italiana: ALEVA,ALBERTONI,AMBROSIO,ARCELLI,BARTOLINI,BEDESCHI,BENEVENUTO, BASSI, BAZZARELA,BERGAMASCHI,CAPELUPI,CALSAVARA,CAMARANO,CANAVEZ,CAPUTO, CARAZZA,CARBONARO,CAVALLI,CEOLIM,CARRARA,CHIERICATO,COPATI,DAVIN,DALDEGAN,DELGAUDIO,FRIGO,FERRAREZI,GROSSI,GIAROLA,GIAMARINO,GRASSANO,ITAROLA,LENZI,LAZARINI,MARCHIOLI,MENEGHIM,MISSON,MONTEIRO,MARTELETO,MAZZINI,PAOLINE,POLASTRI,POLIARINE,POLHESE,SORAGGI,SUTANA,SCARI,TARCHI,STANCIOLI,TAROCO,TAROUQUELA, TURQUETTI,VASSALO,VITA.

Relação de casamentos de italianos ocorridos em Barroso
Braz Benevenuto e Angelina Vassalo
25/07/1885
Ângelo Ambrósio e Maria Ladeira
17/02/1888
José Ângelo e Thereza Vassalo
17/07/1886
Miguel Grassano e Rosalina Monteiro
29/06/1894
Salvador da Silva e Antônia de Jesus
14/10/1896
Manuel Pinto e Ambrosina Aleva
30/11/1901
João Paulo Carneiro e Luiza Camarano
18/010/1902
Carlos Aleva e Dionísia Ambrósio
01/01/1903
Nicolá Giamarino e Maria Stanciola
02/07/1904
Mariano Bartolini[23] e Maria da Glória Magalhães
26/07/1917
Joao Batista Bedeschi e Julia Gonçalves
10/05/1919
Antônio Misson e Margarida Ladeira
04/06/1923
Pedro Sottana e Otelina Vilela
21/02/1925
Antônio Garibaldi Canavez e Maria das Dores Mourão
23/12/1925
Severino Rodrigues e Elisa de Cusatis
28/07/1926
Humberto Carbonaro e Rita de Matos
23/12/1926
                        
Fonte: Cartório e Paroquia de Santana do Barroso


                     Relação de óbito dos italianos ocorridos em Barroso
Caetano Monteiro
65 anos

23/07/1896
Philomena Vitta[24]

Salerno
03/06/1902
Carolina Caputo
81 anos
Itália
10/06/1913
Ana Maria Arcelli
64 anos
Itália
29/01/1911
Cristovão Polhese
80 anos
Itália
29/12/1911
Salvador da Silva
75 anos
Salerno
17/05/1916
Tobias Aleva
76 anos
San Giovanni a Piro
07/06/1921
Bernardo Meneghim
85 anos
Itália
24/01/1932
Luiz Bedeschi[25]
-
Itália
01/02/1949
Angelo Meneghim
72 anos
Udine
10/06/1951
Silvano Albertoni
80 anos
Asiago
12/03/1968

Fonte: Cartório e Paroquia de Santana do Barroso


                                  REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Arquivo da Paroquia de Santana do Barroso. Livros de óbitos, Batismo e Casamento. 1870-1930.
Arquivo do Escritório Técnico do IPHAN – São João Del Rei testamentos.
Arquivo do Instituto Histórico  e Geográfico de Tiradentes ,documentos da Coletoria e Câmara Municipal.
Arquivo Municipal Professor Altair Savassi – Barbacena
Arquivo da Prefeitura de Dores de Campos, Correspondências diversas;
Biblioteca Púbica Municipal. Biografias de Personalidades Barrosenses.
Cartório de Registro de Notas de Barroso Livro de Registro de Escrituras períodos 1870-1881;1891-1893; 1894-1898;
Anuário Industrial do Estado de Minas Gerais, departamento estadual de estatística de Minas Gerais 1937.
Arquivo Público Mineiro Revista do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte: Imprensa Oficial. Ano V fascículo I e II 1900 pág. 99-101
Jornal do Comércio em 02/07/1950 edição 231 ano 123
Jornal Gazeta de Noticias de 25 de janeiro de 1881
Jornal Correio de Prados em 16/12/1922

Jornal A Província de Minas 16/10/1889

ANDRADA. Antônio Carlos Doorgal de. A imigração italiana em Barbacena um século de História 1888-1988. Juiz de Fora: Esdeva 1988

CAMPOS, Bruno Nascimento. A Imigração Italiana e a Oeste de Minas em São João Del-Rei.  Artigo publicado no site www.saojoaodelreitransparente.com.br
GUIMARÃES, Fábio Nelson. Imigração de Colonos italianos em São João del Rei. Vertentes, FUNREI 1989 p.45-88
NACIF, Valéria. Padrões de discriminação racial em Barroso. Dissertação em Antropologia Cultura. Utrecht, Amsterdã, 1992
NICACIO, Karina Fernandes. Escolarização dos Imigrantes e seus descendentes em São João Del Rei 1888-1914. Dissertação de Mestrado em Educação. UFMG 2018.
SOUZA, Geraldo Napoleão de. Barroso, subsídios para a História do Município. Viçosa: Folha de Viçosa, 1979.
Sinopse do Recenseamento de 1890. Rio de Janeiro. Officina da Estatística 1898. Paróquia de Santana do Barroso
TEIXEIRA, Maria Eliane. Ser Italiano em São João Del Rei 1888-1914. Dissertação de Mestrado em História. UFJF. 2011




[1] Dados baseados no relatório do Ministro da Agricultura, Rodrigo Silva em 1888 informando que o Governo Imperial incentivava a formação do núcleo mediante pagamento de passagens e estabelecendo o limite de 500 famílias. Cf. ANDRADA. Antônio Carlos Doorgal de. A imigração italiana em Barbacena um século de História 1888-1988. Juiz de Fora: Esdeva 1988.
[2] GUIMARÃES, Fábio Nelson. Imigração de Colonos italianos em São João del Rei. Vertentes, FUNREI 1989 p.45-88
[3] Idem, ibdem
[4] Arquivo Histórico Altair Savassi Sumário de Culpa caixa 166 ordem 02 2ª vara Cível. Folha 04. Em seu depoimento o italiano registra que a escrava possuía o dinheiro para sua liberdade e que no seu entendimento não havia infringido em nenhuma infração, por se tratar de uma escrava livre. Foi relatada por testemunhas que o italiano havia ido à fazenda de Manoel Rosa Coelho no Bom Jardim por conta do de sua profissão. No referido sumário não havia depoimento da escrava Ana. Outro depoimento não deixou claro se efetivamente havia sido Iatarola, mas que teriam ouvido ser sua autoria por “boatos do povo”.
[5]  O Capitão Vital Antônio de Campos era proprietários de terras na região e município de Barbacena. O caso teve rápida intervenção do delegado que conseguiu localizar os suspeitos embarcando entre as estações de Sitio e João Gomes.
[6] CAMPOS, Bruno Nascimento.  A Imigração Italiana e a Oeste de Minas em São João del-Rei.  Artigo publicado no site www.saojoaodelreitransparente.com.br Acesso 13/02/2020. 
[7] Entrevista com senhor Nania de 79 anos de idade CF. NACIF, Valéria. Padrões de discriminação racial em Barroso. Utrecht, Amsterdã, 1992
[8] Sinopse do Recenseamento de 1890. Rio de Janeiro. Officina da Estatística 1898. Paroquia de Santana do Barroso.
[9] Testamento de Salvador da Silva. Arquivo do IPHAN de São João del Rei. cx 257. Foi casado com Antônia Joana mas não tiveram filhos .Deixou de herança uma casa de telhas com fundo de negocio no lugar denominado “Barroso Velho” com todas as louças e demais objetos e que deveriam ser repassados para Francisco Ferreira Filho após o falecimento de sua esposa, Deixou uma casa para a Igreja de Santana. Em dinheiro deixou 100 mil réis para Benedita do Valeriano, deixou 200 francos para que sua irmã pagasse uma promessa na Igreja de Nossa Senhora Aquarena na Itália. Determinou que em seu funeral fosse gasto 1 conto de réis e caso sobrasse algo que fosse distribuído entre os pobres de Barroso.
[10]Em dezembro de 1927 apresentou requerimento junto a Coletoria Estadual para funcionamento de uma padaria no distrito de Barroso. Por volta de 1929 converteu-se ao protestantismo, sendo um dos pioneiros da fé reformada na cidade. Em terrenos de sua propriedade foi construído o primeiro templo presbiteriano. Carlucho como era conhecido, faleceu aos 90 anos em 17/03/1971.
[11] Artigo de Basílio de Magalhaes no Jornal do Comércio em 02/07/1950 edição 231 ano123. Curioso relatar que em reunião da Câmara Municipal de São João Del Rei em 30/04/1889, alguns imigrantes da hospedaria de Matosinhos, revoltados com as condições em que estavam instalados prometeram um “assalto às famílias da cidade”. O governador esteve presente com escolta militar e os subversivos foram encaminhados para a Corte Cf. TEIXEIRA, 2011 p.49.
[12]  O texto ainda traz a informação de que não havia nenhuma inovação no ramo, pois os instrumentos empregados no amanho das terras são do sistema antigo não existindo informando ainda o salário do trabalhador agrícola que variava entre1$500 e 2$000 diários.  CF.. Município de Tiradentes. Revista do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte: Imprensa Oficial. Ano V fascículo I e II 1900 pág. 99-101
[13] Jornal Correio de Prados em 16/12/1922
[14] SOUZA, Geraldo Napoleão de. Barroso, subsídios para a História do Município. Viçosa: Folha de Viçosa, 1979 p.87.
[15] Depoimento de Geraldo Sutana concedido a Eustáquio Melo em janeiro de 2020. A narrativa com muita clareza ainda definia o lugar como os terrenos do Sr. Raimundo, onde talvez seja o bairro Nova Barroso.
[16] Domenico Silvano Albertoni nasceu em Asiago, Itália, em 26 de agosto de 1888. Cursou o Colégio Militar de Moderna em 1908, chegando a primeiro tenente. Passou pelo Regimento de Cavalaria de Piacenza e seguiu para a África onde participou de muitas ações de guerra e foi condecorado com medalha de bronze pelo seu comportamento nas batalhas de Sanno, Lectafia e Budafon, de 18 de junho a 7 de julho de 1914. Em 19l5, a Itália entrou na guerra pediu transferência da cavalaria para a aviação. No dia 23 de novembro de 1915 ganhou medalha de prata – valor militar, por sua valorosa participação em combates, além de outras condecorações, como a Cruz de Guerra. Devido às ações do Comunismo, que se alastrava pela Europa, pediu demissão do exército e veio para o Brasil em 1922. Faleceu em Barroso, como cônsul italiano e na patente de general da reserva do exército de seu País, aos 80 anos, em 12 de março de 1968.
[17] GUIMARÃES, Fábio Nelson. Imigração de Colonos italianos em São João del Rei. Vertentes, FUNREI 1989  
[18]Nascido em 13/09/1899 na cidade de Foggia, participou da 1ª Guerra Mundial tendo sido condecorado com a medalha de Bronze, em discordância com o fascismo veio para o Brasil chegando a Barroso em 22/02/1924 como hóspede de seus tios Antônio de Cusatis e Carmela Manze. Estudou até o 3º ano do Instituto Técnico Industrial “Pietro Giovanno” em seu País. Na idade de 18 anos foi chamado para as armas, participando da 1ª grande guerra como telegrafista do 8º grupo de aviadores. Foi ferido em 5 de agosto de 1918, mas depois continuou nos campos de batalha da macedônia e da Grécia. Foi condecorado com a cruz de merecimento de guerra, medalha de bronze do Goy italiano, medalha dos governos aliados. Em outubro de 1922 participou da revolução fascista e da marcha sobre Roma. Em 1924 discordou do regime fascista e se transferiu para o Brasil no dia 22 de fevereiro de 1924. Em 18 de outubro de 1969 o governo italiano concedeu-lhe o titulo e a cruz de Cavalliere com a pensão vitalícia de guerra e a medalha de ouro da vitória. Humberto Carbonaro foi agente cobrador e representante da Cia Sul América Capitalização durante 25 anos. Faleceu em 14/10/1989.
[19] Natural de Udine na Itália nasceu em 07/05/1879, veio para o Brasil com seus pais aos 16 anos de idade e foi para a Colônia Rodrigo Silva, vindo para Barroso em 10/09/1924. Faleceu em Barroso em 10 de junho de 1951 deixando os seguintes filhos: Vitorio Meneghim, João Luiz, Santos Bernardo, Américo, Helena, Jose Bernardo e Carmelita filhos de seu primeiro matrimonio com Madalena Ceolim. Em seu segundo casamento com Angelina Cardinale obteve apenas um filho: Miguel Cardinale Meneghim e em seu terceiro casamento com Maria Geralda teve os filhos Manoel Bernardo, Jose Bernardo, Maria do Rosário, e Mario Bernardo.
[20] Relatos da família Rodrigues Pereira. Antônio de Cusatis nasceu em Celle di Bulgherie na Itália em 05/07/1870 era filho de Saverio de Cusatis e Isabela Crocco , era afinador de pianos na Rua do Ouvidor no Rio de Janeiro.  Faleceu  em 24 de maio de 1943.
[21] Anuário Industrial do Estado de Minas Gerais, departamento estadual de estatística de Minas Gerais 1937.
[22] Arquivo da Prefeitura Municipal de Dores de Campos. Correspondências do Prefeito Municipal. Biblioteca Pública Municipal de Dores de Campos
[23] Mariano Bartolini nascido em 07/06/1889 em Orvietto Umbria filho de Ugo Bartolini e Angelina Laurenti.
[24] Filomena Vita teria desembarcado no porto do Rio de Janeiro em 10/-6/1876 aos 32 anos de idade.
[25] . Era filho de Nicolau Bedeschi e Anastácia, veio para o Brasil aos 17 anos, juntamente com os irmãos Pedro e Marieta a bordo do navio Cachar com registro na hospedaria Horta Barbosa em 20/11/1888.
[26] NICACIO, Karina Fernandes. Escolarização dos Imigrantes e seus descendentes em São João Del Rei 1888-1914. Dissertação de Mestrado em Educação. UFMG 2018.p.68
[27] Inventário de Philomena Vitta Monteiro em 1902 cx 457 Arquivo do Escritório Técnico do Iphan de São João Del Rei. Em seu testamento deixou a obrigação ao testamenteiro a quantia de vinte mil réis para a Igreja de Nossa Senhora da Pedra Santa na Província de Salerno.