sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

DONA LAURA, BENZEDEIRA


Acervo de Família 


 Laura Maria de Jesus, filha de Ismael José Ferreira e Salvina Maria de Jesus era natural de Padre Brito e veio para Barroso com sua família em 1958 . Residia  no "guedes" , sua casa ostentava uma soleira gasta  e na porta uma cruz enfeitada.  Na parede, um terço de madeira assinalava a devoção. Ainda tenho na lembrança a imagem serena da rezadeira de meu tempo, com seu característico lenço na cabeça, que escondia os cabelos brancos .

Dona Laura iniciava suas benzições com a invocação da Santíssima Trindade. O seu ritual para benzer constava  de ramos de arruda , água, uma cruz de madeira  e as vezes  brasas que recolhia de seu fogão a lenha. Cada elemento variava a súplica e os males que acometiam , geralmente as crianças, como  “quebrante” ,”aguamento”  e  “ventre virado” . 

Colocava os pequenos de bruço segurava-lhe os pés com a mão esquerda e com a mão direita batia de leve nos pés dizendo com sua voz rouca e forte  “Assim como Deus te fez , assim como Deus te Gerou , que te cure este ventre virado que neste corpo entrou”

O cobreiro era muito corriqueiro também naqueles tempos , com movimentos em cruz utilizando-se de galhos de arruda a benzedeira perguntava : O que te corta ? a gente respondia: cobreiro!  ela completava convicta “Assim mesmo eu corto com água da fonte e raminho do monte “ . 


Criança de antigamente tinha medo de tudo e “aguava” por tudo.  Para "cortar medo de andar"  tinha que passar por um portal três vezes ,  finalizando o rito  na porta de entrada , de costas para a rua ela  varria com uma vassoura feita com ramos de alecrim, nossos medos e temores .

Assim como eu , muitas crianças frequentaram a casa da dona Laura e outras benzedeiras que em seu silêncio e descrição oferecia –nos alento para nossos males. Dona Laura gostava de benzer conversando, e com esta serenidade  viveu grande parte de sua vida veio a falecer aos 78 anos de idade em 11 de julho de 1999.

Algumas cidades do Paraná já reconhece por meio de lei as práticas e eficácia das benzições  equiparando as benzedeiras como agentes de Saúde Pública .

sábado, 11 de janeiro de 2020

FESTICAN : UM FESTIVAL DE MELODIAS




Acervo Biblioteca Pública Municipal 



Em destaque um dos primeiros cartazes do Festival da Canção de Barroso, onde de forma criativa, os pórticos da entrada da cidade são reproduzido no interior de uma nota musical.

 O festival teve sua origem nos dias frios de julho de 1979 no salão de festas do centro cívico de Barroso (FAPI) numa promoção dos alunos do 3º ano do Colégio Municipal, naquela ocasião, pouco mais de 60 músicas foram inscritas e as primeiras classificadas eram da cidade de Barbacena. O segundo lugar coube ao barrosense Júlio Cesar participando com a música “Emplosão” a organização do evento era de Fernando Goulart e Marilene Ceolim. 

A partir de 1983 o festival seria encampado pela prefeitura municipal passando acontecer na praça Salvador da Silva, sob coordenação de Arnaud Baldonero Napoleão. Em sua quinta edição, o número de músicas inscritas ultrapassava de uma centena e a premiação constava do troféu “Julio Cesar” para o 1º colocado, troféu “Clara Nunes” para o 2º colocado e “Ruth Meireles” para o terceiro lugar.


 O FESTICAN enraizou-se na cultura local, festividade que ocorre tradicionalmente no mês de julho as vezes, estendendo-se para princípios de agosto. No entanto, houve épocas que aconteceu em épocas diversas, como no aludido cartaz, subdivido em etapa local e nacional e em lugares diferentes (parque de exposições e Ceclans) indiscutivelmente firmou-se como evento de valorização da musica popular brasileira na região sendo conhecido em todo território nacional.




 Jornal Barroso ano 8 num 88 agosto 2013

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

UM SÍMBOLO DE BARROSO






O brasão em perspectiva se trata de um dos modelos concorrentes no concurso para criação do brasão do município ocorrido em 1971. O desenho contempla aspectos da historia barrosense como a pioneira atividade agrícola e a indústria representada por meio das chaminés. 

Os elementos religiosos podem ser apreendidos através de uma cruz e o livro bem ao centro do escudo, acima pode ser observado a coroa mural com cinco torres e na base o listel contendo o nome do município século de fundação e ano da instalação da cidade. 

O desenho é atribuído ao barrosense Geraldo Magalhães Pinto (Tote) cirurgião dentista residente no Rio de Janeiro onde também cursava jornalismo no instituto Assis Chateaubriand. Sempre dedicado às questões históricas manteve correspondências com os prefeitos municipais sobre a temática, inclusive repudiando o silêncio das autoridades locais por ocasião da demolição da antiga Igreja de Sant’Ana, destacou-se como um dos oradores por ocasião da instalação do município em 1954 e foi pioneiro ao publicar em 1964 uma coletânea de pensamentos e reflexões. 

Acervo Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (2011)



Jornal Barroso em Dia num 98 ano 8 dezembro de 2013

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

GENERAL ARISTIDES MEIRELES






Documento pertencente ao general Aristides Meireles, nascido em Barroso a 13 de fevereiro de 1908 filho de Gustavo Meireles e Otilia de Castro Meireles. 

Aos 25 anos de idade ingressava no curso de formação de médicos do Exército, desde então, passou a servir em diversas unidades militares do país como em Maceió, Recife, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém do Pará, e no Mato Grosso. Nos momentos de folga constantes eram suas visitas a Barroso a fim de reaver seus familiares e amigos barrosenses

De sua trajetória militar alcançou a patente de general de Brigada em dezembro de 1958, das muitas experiências acumulou honrarias  como a medalha militar de prata e a Medalha de Pacificador  enfim, foi um ilustre barrosense que prestou relevantes serviços à Pátria ao longo de seus 66 anos de vida vindo a falecer no Hospital do Exército no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1974


Acervo :Maria Nícia .



Jornal Barroso Em Dia ano 8 num 77 março 2013

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

MOISÉS NO OSTRACISMO




                                                       Acervo Geisa Graçano


Em evidência a estatua de Moisés, monumento edificado por ocasião do Sistema de Abastecimento D’Água de Barroso que consistia em cinco filtros cilíndricos de 4m e 15 bombas de HP que possibilitavam a floculação, filtragem e tratamento da água.

 O projeto do engenheiro Asplênio Álvaro da Silveira foi inaugurado em dezembro de 1968 pelo prefeito Genésio Graçano numa época em que investimentos públicos eram viabilizados juntamente com monumentos edificados como marco de uma grande obra e desta feita, a gestão do prefeito foi um divisor de águas na história de Barroso. 

Moisés segura em uma de suas mãos as tábuas da lei e em outra a mão sustenta a vara apoiada sob uma grande pedra, detalhes artisticamente trabalhados da estátua fizeram do Moisés de Barroso um cartão postal que também foi exibido como capa da revista dos municípios mineiros edição nº 19 de janeiro de 1969. 

A estação de purificação d’Agua onde Moisés se encontra e demais postos artesianos da cidade foram transferidos para a COPASA pois a lei 1.608 de 19/08/1997 autorizava a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgoto da cidade à Companhia de Saneamento e Água do Estado, das muitas polêmicas que marcaram esta transição Moisés foi testemunha, e se no passado foi marco de uma grande conquista hoje é um monumento decadente, em estado de deterioração, sem as tábuas da lei e seu característico cajado de pastor Moisés entra para a história da cidade dos símbolos  perdidos ....                                                                  

Jornal Barroso em Dia  ano 9 num 114 agosto de 2014

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

UM GENERAL NOS JARDINS DE BARROSO






Humberto de Allencar Castelo Branco, general do Exército Brasileiro primeiro dos presidentes do período ditatorial (1964-1985) foi nomeado pelo alto escalão das forças armadas e seu governo enfrentou forte crise no setor econômico razão pela qual criou o Programa de Ação Econômica do Governo(PAEG). Foi idealizador de importantes órgãos de controle e repressão durante o regime militar. 

Os partidos políticos foram extintos passando a surgir apenas duas legendas ARENA e MDB. Com a promulgação de uma nova Constituição os municípios tiveram maior participação nos impostos da União, em contrapartida impedia aos munícipes o direito de escolha de seus representantes. Motivado por razões puramente econômicas em 06 de dezembro de 1970 foi inaugurado uma estátua em bronze do presidente Castelo Branco no jardim da Praça Sant’Ana ocasião em que esteve presente a filha do homenageado Antonieta Castelo Branco. 

Além de diversas autoridades militares que aqui estiveram com intuito de prestigiar um dos lideres da Revolução. Barroso se tornou a primeira e talvez a única cidade a prestar reconhecimento neste porte a um governante dos “Anos de Chumbo”. 

Acervo : Geisa Graçano


Jornal Barroso Em Dia ano 8 num 91 agosto de 2013


segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

UM BENFEITOR NA TERRA DO ESQUECIMENTO.






Nascido em 31 de janeiro de 1926 recebeu nome de apóstolos e lideres da Igreja Cristã: Paulo José Pedro. Procedente de família humilde do povoado do Mamono, ( filho de Vicente Ventura e Maria Divina de Jesus) trabalhava na roça para sustento da família e  vinha para Barroso cursar o primário com a professora Clotilde Rocha , obtendo distinção entre os alunos da classe.

Seu primeiro emprego foi  na padaria do Chico Ferreira após visita no grupo escolar escolar por Francisco Ferreira Filho e promessa de emprego ao melhor aluno da classe.    Em 16 de abril de 1945 , com 20 anos de idade foi admitido na “Cerâmica do Peixe” e depois trabalhou para Genésio Graçano, em seu armazém  como balconista  mais tarde tornaria-se comerciante, revelando tino para o comércio ainda foi proprietário da funerária São Paulo.

 Casou-se em 09 de julho de 1949 com Rosa Alves Pedro, tendo desta união os filhos Saulo, Maria das Graças , José Sacramento, José Luiz, Heniel, Geraldo, Márcia ,Amaro e Jefferson. Neste mesmo ano adquiriu a casa comercial de Genésio Graçano fundando a "Casa São Paulo" , armarinho com artigos de papelaria. O distrito de Barroso ganhava   uma loja sortida e de  referência em brinquedos num período pós -guerra .

A convite do Padre Luiz Giarola Carlos - de quem desfrutava da amizade e confiança -  tornou-se  administrador do cemitério paroquial. A construção do Necrotério (inaugurado em 1976) foi fruto de sua indicação e desprendimento aos mais carentes.Vale ressaltar que muitas pessoas conseguiram suas aposentadorias , no período em que foi Agente Municipal do Funrural,  foi grande lutador em favor dos mais necessitados, tendo conseguido a aposentadoria para muitas pessoas de Barroso e de cidades vizinhas, sem nunca ter cobrado nada pelo seu trabalho.

Um homem com espirito caridoso e de muita fé, sempre presente nas festividades religiosas foi provedor da Irmandade do Santíssimo SacramentoMereceram dele opinião e colaboração as seguintes obras da Paróquia de Sant'Ana .: Construção da Casa das Irmãs Franciscanas; Construção do antigo Hospital de Barroso, junto à Casa das Irmãs; Construção do Asilo e da Igreja Nossa Senhora de Fátima. 

Sua missão apostólica de dedicação aos mais necessitados terminou em 17 de março de 1987 com seu falecimento. No entanto, seu exemplo de vida ainda permanece, através de sua numerosa família, verdadeiro celeiro de vocações: artistas, professores, advogados, fisioterapeuta, médicos e até sacerdote.

Paulo José Pedro foi um benfeitor de nossa cidade, mesmo tendo exercido o cargo de vereador em 1956, não foi contemplado com nenhuma forma de homenagem pelo Legislativo Municipal, ao contrário, um projeto de lei renomeando via pública do município apresentado na legislatura 2001-2004 foi engavetado sem muitas justificativas. A despeito das prioridades e prerrogativas dos legisladores, fica aqui a homenagem ao fundador da Casa São Paulo, por ocasião dos 70 anos de sua fundação.


Acervo : família Alves Pedro.